domingo, 9 de Novembro de 2008

Saber nadar. O que é saber nadar? Quando posso dizer que sei nadar?


Em primeiro lugar, eu não sei dizer "quanto" preciso saber nadar para poder salvar-me a mim mesma ou a outrém. Parto do princípio de que quem apenas tem uma adaptação ao meio aquático rudimentar não consegue salvar-se ou salvar numa situação de acidente difícil.
Se um sujeito necessita de saber nadar mariposa para se salvar é uma questão irrelevante. O que me interessa é que o sujeito que nada mariposa tem um nível de desempenho superior na água (para aprender a nadar mariposa andou na natação um tempo considerável) e é esse desempenho superior que pode salvar a sua vida e a de outros.
Na minha opinião quanto mais habiliades um sujeito conseguir realizar no meio aquático (habilidades da natação pura, da sincronizada, dos saltos do polo, do simples exercício aquático), mais apto está a sobreviver nesse meio. Por isso, se quero que o meu aluno seja um sobrevivente de um acidente aquático vou-lhe ensinar o mais que possa sobre formas de deslocamento aquático (estilos, técnicas...).
Quando olho para um aluno pergunto-me: até onde o ensino? A resposta que me dou é sempre a mesma: tudo o que eu for capaz, mesmo que os pais me digam que só querem que o filho se "desenrasque" para o caso de cair "à piscina que temos lá em casa". E porquê tudo? Porque eu não sei se algum dia ele vai necessitar de uma competência aquática superior para se salvar ou para salvar alguém, se quererá ser um atleta de natação pura, sincronizada ou polo aquático, se vai querer fazer um curso superior de educação física, se vai querer fazer carreira na marinha, se, se, se, se... O lema mais importante é "não cortar pernas", apostar tudo no aluno, dar-lhe tudo pelo melhor. Mesmo que ele não venha a ser nadador de alta competição, mesmo que ele venha a ser um profisional qualquer de outra área que não o desporto aquático, mesmo que ele só venha a nadar como forma de "manutenção" ou de recereação, mesmo que ele só vá nadar porque o médico mandou, mesmo assim, só nadará se o seu nado for competente e lhe transmitir uma sensação agradável. Se for penoso e sofrido, um nado de "desenrasque", de pouco ou nada irá servir-lhe, seja em que circunstância for.
Por isso, nós, os profissionais das actividades aquáticas, só temos uma solução: ser profissionais de excelência para produzir alunos de excelência e com excelência capaz de ser aplicada naquilo que eles vierem a necessitar. É isso que eu tento todo os dias, com maiores e com os mais pequeninos que me passam pelas mãos.
Apenas mais um pormenor: se saber "desenracar-se" na água chegasse, então, os professores de natação não seriam necessários. Eu sempre me desenrasquei muito bem com os ensinamentos do meus avô, até ele decidir que estava na hora de eu ir aprender a nadar. Decisão sábia a sua, dado que, afinal, ele já me tinha ensinado a "nadar".
Saber nadar, para o leigo, significa não se afogar.
Saber nadar, para o profissional do desporto, significa ter uma competência aquática de nível superior em todas as disciplinas da água.

12 comentários:

antonio - o implume disse...

Tens razão. Eu próprio me debato com esse problema.

Educar no sentido dos nossos filhos serem educados e correctos, respeitadores do outro e a terem noções de boa cidadania, pode-nos reconfortar enquanto educadores... mas nos dias de hoje, serão as habilidade (como tu lhes chamas), que lhes vão permitir sair das situações difíceis!

;)))

Pedro Barata disse...

Para mim saber nadar era não me afogar. Mas nem isso sei... Lol

Beijocas

Tiago R Cardoso disse...

gostei, um texto que é muito mais do que sobre natação.

mais do que saber desenrascar, é preciso saber-se todas as técnicas, para saberem enfrentar todas as situações com confiança.

susana disse...

antónio: uma feliz coincidência de conceitos! A habilidade, para nós do desporto, é uma acção motora, simples ou complexa. No Desporto e na vida, está visto, há que ter é uma grande "dose" de habilidades "na manga"!

Pedro jornalístico: faça o favor de ir aprender a nadar! :)

Tiago: é isso mesmo, é fácil de perceber (bem, menos para alguns dos meus estudantes, mas isso é outro filme...).

Janeca_Perdigueira disse...

Mais nada!!!!!

Donagata disse...

De tudo o que diz, aquilo com que eu estou mais de acordo é com a necessidade que nós, professores, temos, de insistir na cultura da excelência.
É tão necessária e anda tão arredada de muitas cabecitas.
beijos

nando disse...

Oh Su! Atão agora escreves banalidades sobre a vida!!! :P
Eu sei, eu sei... mas ser utópico ainda vai fazendo parte. A História dar-me-á razão; um visionário hoje, amanhã...

Agora, sobre natação: e quando é que sabe o suficiente para nadar no mar?;-)

susana disse...

Qual mar? Assim tipo na boca do inferno? Tipo é giro, não é? Aprendi com os meus estudantes!

nando disse...

Um mar qualquer. Pode ser tipo Costa. Ou Figueira (não conheço, mas constou-me que também lá há mar).

Eu uso tipo desde sempre! Mas prontos, eu era estudante e tipo não tipo usava tipo tipo como se usa tipo agora, tipo!...
Tipo...

susana disse...

Caro nandinho: quanto mais revolto o mar, melhor tens que saber nadar!

Tipo assim, ok?

nando disse...

E tipo "má onda"? Os teus alunos também já te ensinaram?
(ou ai para cima a onda é sempre boa :P)

susana disse...

Sou do tipo "boa onda". Quando a onda é má dou um jeitinho para o lado e deixo-a passar. Os distraídos que levem com ela.
:DDDD
Isto é que é confiança, ha!