domingo, 31 de Agosto de 2008

Imaturidade

Caminhei numa nuvem
e corri entre fiapos de algodão doce
Tão leve, tão docemente leve
Numa inconsciencia alimentada de sorrisos e risos,
de música e de dança de contactos
Numa pura e elegante lascívia de sentidos

Férias 4. As leituras

Nestas férias li, li e li.
Pouco antes de sair em viagem acabei o Sétimo Selo, do José Rodrigues dos Santos. Um livro com uma trama pouco interessante, a verdadeira historinha de cowboys, mas com o qual aprendi bastante sobre diversas temáticas, como a das reservas petrolíferas, o ambiente e ciências antigas como a guematria (que também tenho visto escrita como guemetria, que deve ser um aportuguesamento do francês?!). Ao passear por um Blog muito bom, despontou-me a curiosidade de ler Patricia Highsmith, algo que queria fazer há já muitos anos, desde os tempos em que o João Chaves, no Oceano Pacífico (para o qual hoje já não tenho a mínima paciência) lia alguns excertos dos seus livros. Sem meias medidas, comprei um livro de contos da autora e li metade do livro antes de sair em busca do sol perdido. A autora enloqueceu o mundo e matou tudo e todos os que lhe cruzaram com a sua imaginação, mas será sempre uma escritora absolutamente genial. Depois de lhe ler os primeiros contos fiquei com a sensação de que ela já me terá passado pelas mãos nos tempos da minha adolescência e juventude, quando lia compulsivamente todo o papel que tivesse letras e temáticas não militares ou políticas. Mas também pode ser alguma confusão com a série televisiva do Alfred Hitchcock ou com os policiais da Agatha Christie ou do Sir Arthur Conan Doyle, da minha louca fase dos policiais, leituras de verão, dos fins de praia, depois do Voleibol e do queime-se, do King e da Canasta (e dos romances de olhar e de roçar de mão, quais paixões arrebatadoras).
Chegada ao local das férias e com um tempinho de enjoar, acabei o livro de contos da Patrícia e zurpei "As velas ardem até ao fim" ao marido, que ainda não lhe tinha apetecido recomeçar a lê-lo. Perturbaram-me estas velas, porque me mata a impassividade do viver numa verdade inverosímel, por ser fruto da depressão, e a chegada ao ponto do não querer saber, porque a ténue verdade de outrora se transforma numa teoria inabalável (isto numa análise muito superficial da obra, que é absolutamente magnífica).
Dois dias volvidos e nada para ler. Toca de correr para a feira do livro local. Por 1.5 euros mais uns contitos da Patricia e A Filha do capitão, do José Rodrigues dos Santos (estes não foi pelo euro e meio, note-se!). Num dia devorei as mortes e sarilhos, ao jeito de Hitchcock, da Highsmith e lancei-me docemente na Filha do Capitão. Depois com mais agressividade, depois gulosamente, depois compulsivamente, até o terminar no penúltimo dia de férias. Dos melhores romances que já li, assumo. Não bateu o "Ensaio sobre a Cegueira", do nosso Prémio Nobel, que é o meu livro de sempre, o número um, mas ficou no meu top pessoal.

sábado, 30 de Agosto de 2008

Férias 3. O calor


Zandinga morreu.
Mas deixou o seu imenso legado entre os meteorologistas!

Adorei o verão mais quente dos últimos anos. Adorei ser vítima do aquecimento global. Adorei os ventos e as marés e não poder ir à praia. Adorei ter frio no verão. Rejubilei não ter entrado na piscina nem uma única vez. Venha mais, venha mais, que eu, para o ano, vou para uma zona ainda mais fria. Múrcia, talvez...

sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Férias 2. A ida, a chegada, a rotina


Primeiro a saga de fazer os sacos. É saco para aqui, é saco para ali. E se esquece alguma coisa? Pelo menos que não esqueça nada das crianças... ufa, ufa!
Logo chega o grande dia! Levantar cedo (ugh!) e preparar o carro. Crianças excitadas e acordadas (a ideia de ir cedo era para elas irem a dormir!). Alegria pelo caminho, cantorias, sorrisos, o calor a aumentar. Ao fim de 4 horas começa o desespero. Um desvio! Nunca mais chegamos... Parar, um chichi, comer, um gelado... Já se resmunga e os corpos pedem água, por dentro e por fora.
Chega-se! A casa não está pronta. Espera-se. Ao fim de 400 mil "já podemos ir para a piscina" entramos. Há novidades. Este ano temos micro-ondas, mas a cafeteira do café não tem filtro e eu não vivo sem café (Ahhhh...).
Pai e filhos seguem para a piscina. A mãe fica a brincar às casinhas. O que vamos jantar? E almoçar amanhã? É preciso ir às compras. E nada de sandes em duas refeições seguidas, ou gera-se crise de estado. Há que fazer o assado!
E começam as férias. Fazer almoço, ir às compras, fazer jantar, dar um jeito no WC, que está tudo cheio de areia. Lavar a louça... À MÃO!
Qual a vantagem: a cabeça está vazia. Não há trabalho. E espera-se calor, e espera-se o calor, e espera-se o calor...

Para o ano quero ser rica. Muito rica.

Férias 1. Naturismo

Contextualização
De acordo com a Federação Portuguesa de Naturismo, O Naturismo é uma forma de viver em harmonia com a Natureza caracterizada pela prática da nudez colectiva, com o propósito de favorecer a auto-estima, o respeito pelos outros e pelo meio ambiente. Como tal, não deve ser confundido com qualquer tipo de voyeurismo-exibicionismo. O naturista deve ainda ser distinguido do nudista. No essencial, o naturismo é, não só uma forma de estar (nudista), como uma forma de ser e de sentir em que têm lugar preocupações de saúde e bem estar mental e físico (da alimentação à medicina), à ecologia e protecção da natureza, além de um apurado sentido de dignidade social, respeito mútuo e civilizacional, associados a um espírito convivial e humanista. A nudez naturista não tem qualquer significado sexual. No naturismo, o nosso corpo é assumido por cada um e olhado por todos com total naturalidade.

O naturismo visto de fora para dentro
É um facto que nós gostamos de nos olhar como um povo evoluído, nada de conceitos de "terceiro mundo", mas também é um facto que não o conseguimos ser. A tónica dominante do preconceito relativo à exposição do corpo (das partes pudengas, leia-se!), da sexualização do corpo e do desrespeito pelo próximo está bem patente no comportamento dos muitos "mirones" que aproveitam a baixa-mar para passarem pelo carreiro entre os rochedos e prolongarem a sua "caminhada para a saúde" por uma praia naturista oficial. Os naturista têm como princípio não chocar com a nudez e, por esse facto, não ficam nus numa praia não naturista. Contudo, não recebem o mesmo tratamento dos não naturistas. É muito curioso observar como grupos de famílias, amigos, adolescentes, homens sós, duplas de mulheres, etc, etc, etc, entram pelas praias naturista adentro, vestidinhos a preceito, e, com o ar mais natural do mundo, desviam a caminhada da linha do mar para subirem um pouco mais para a zona de areia seca. Claro que pode ser pelo facto da água ser mais fria (há menos roupa para aquecer o mar!)... A eterna excursão à praia do meco! O mais deprimente da situação são os olhares, uns de nojo, muitos de gozo, uns de indissimulada excitação e, os piores, os mais indescritíveis, os das adolescentes pejadas de complexos. São estes os que mais perturbam... São estes os da nova geração.
É curioso como, numa praia tolerada, se um não naturista se sentir incomodado com a nudez do vizinho tem o direito, por lei, de solicitar que o mesmo se vista, mas não há nenhuma lei que obrigue os mirones de despirem as suas vestes numa praia naturista oficial. A forma natural como os naturista aceitam os mirones é a maior prova da sua boa relação com o corpo, os outros e o mundo. É, também, a prova da sua elevada formação cívica e moral, porque de falsos moralismos parece-me que são os outros que estão cheios.
Outra situação curiosa é a associação do nudismo (e até do "marufismo") ao tipo de corpo. A ideia é que se não se tem um corpaço e umas marufas XPTO, então, para quê ficar nu?
Quem tiver a oportunidade de passar umas horinhas numa praia naturista vai perceber que o tipo de corpo não interessa. Naturismo não é uma forma de exibir um corpo de Top-model. Mas também vai perceber que as manifestações das doenças modernas, como a obesidade, são claramente menores entre os naturistas. Porquê? Pela valorização da saúde, que está no seu estilo de vida. Não consigo perceber como é que um par de "lontras" é capaz de olhar um nudista com ar de nojo, quando o mesmo, a existir, estaria certamente no seu lado.

Haja paciência!

quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Estudantes... 2


Vamos p'rá pixina, vamos p'rá pixina, já! E supramos na água!

E não
predugicamos os alunos com algum exercício mal feito.

E a
imerção é muito importante!

Não esquecer a medusa com apneia
exspiratoria!

Estudantes...




"Ser capaz de se meter em posição ventral e dorsal..."*

Porque é que cada vez se mete mais no sítio errado?



*Um estudante, a referir-se à capacidade de um aluno se colocar na posição horizontal ventral e dorsal (vulgo boiar de barriga para cima e de barriga para baixo).

quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Rabiscos num caderninho

Alienação
De que tens medo?
Tenho medo do que não me lembro
e não me lembro de quase nada.



Anulação
Tens culpa!
Estou inocente.
Tens culpa!
Foi sem querer.
Tens culpa!
Estou impotente.
Tens culpa!
Peço agora desculpa, mesmo sem culpa ter.


Aceitação
Deixa... o ser passado

Deixa... o ser desanimado

Deixa... o pensar quadrado

Deixa... o viver desajustado
Deixa... o semblante magoado
Deixa... o andar carregado

Deixa-te... ser


Renascimento
Toc, toc...
Quem é?
Sou eu.
Eu quem?
O teu eu.
Sobe.

segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

Traição


És tu corpo
Quem te atraiçoa

Decides-te forte, valente
Heroico até
E depois tropeças numa moeda de centimo
Tombas, sem vergonha, com uma brisa
Entregas-te em nudez, contrariando-te
Talvez porque amas
É certo, porque amas
Porque queres continuar a amar
E ficas feliz no seio da tua infelicidade
À espera que o tempo corroa a modernidade
E te tornes, finalmente, monumento eterno

Romance das férias

15 dias de férias dá para muita peripécia. Muitos acontecimentos sobre os quais reflectir ou somente para relembrar. O primeiro passo é ir tentando uns títulos temáticos, para melhor organizar as ideias.



A ida, a chegada, a rotina
O calor
As praias
Os Tugas
Naturismo
As leituras
Saudades do meu eu chamado Blog
As terras e as visitas culturais
As crianças
A pausa no retorno e a surpresa
O retorno a casa

Não sei por que ordem é que isto irá sair, de que mais me vou lembrar e do que me vou arrepender e acabar por não escrever. Mas também não importa. Afinal um Blog é isto mesmo, um espaço meu, onde quem decide sou eu. Também não sei se vai ser rápido ou lento, porque tenho uma nova paixão comigo, da qual dificilmente me vou separar, já mo disseram as primeiras páginas. Traio o meu marido com o Gabriel, Viver para contá-la, mas sei que ele me perdoa. Afinal, tem que me perdoar, porque foi ele quem me depositou no colo Cem anos de Solidão e me apresentou o Gabriel, com quem o tenho traído frequentemente, ao longo dos anos que temos partilhado. Latinos... são a minha perdição.

Cá estou de novo...

E tenho montes de coisas para contar. Montes e montes! Aliás, preciso de retocar o meu sotaque, que 15 dias a Sul foram-me passando o pom a pão e o melom a melão.

sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Fééééérias!


Bou basar! Mas bolto, está benhe?
(tenho de mudar esta pronúncia, ou ainda me mandam mais cedo para o Norte!)

quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Gárgula


A Gárgula espera ansiosa no cimo da torre
Observa com friesa a vida que corre a seus pés
As asas querem-se-lhe soltar
Mas ela retem-nas
Não é a hora
Teve anos de petrificação
Terá anos de libertação
Se souber esperar
Pelo tempo certo
Pelo momento certo
Pelo instante
A sua liberdade já chegou
A grilheta dissolveu-se
E mais ninguém a poderá prender

Esta prenda é de uma morena



terça-feira, 5 de Agosto de 2008

Mais uma prenda da minha loira


"Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar
De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua."

Sophia de Mello Breyner

Continuo a aprender a nadar


Este Blog, que pretendia ser uma coisa decente, tem andado a descambar, ao ponto da aprendizagem da natação estar absolutamente abandonada. Ora, no último post desta temática, dizia eu:
Já caminhas na piscina?
Para a frente, para trás e para os lados?
Já molhas a cara, abres os olhos e expiras?
Já consegues imergir o corpo todo até ao fundo da piscina?
Sim?
E a seguir ensinei-te a saltar de pé e falei-te dos perigos das braçadeiras, cintos e outro material flutuante (aos quais ninguém parece ter ligado grande coisa).

Vamos lá continuar.
Depois de saberes saltar de pé, se estiveres numa piscina funda, vou tentar que te consigas equilibrar autonomamente na vertical, nem que seja por um bocadinho. É uma habilidade importante, porque é aquela que te vai permitir manter a face à superfície e respirar se caires à água e não tiveres pé. Vamos fazer uns jogos giros. Primeiro vais tirar uma mão do bordo, depois outra, vais bater palmas e fazer outras brincadeiras até seres capaz de te sustentar movendo apenas os pés e os braços. Vai demorar um bocadinho até conseguires sustentar-te, mas vamos insistir várias vezes enquanto vamos avançando na tua aprendizagem.
Se estiveres em piscina de água rasa (com pé), vamos ter de esquecer o importante passo anterior e passar para as nossas amigas medusas.
A medusa, ou posição fetal na água, é a habilidade aquática em que o corpo humano consegue a posição de equilíbrio mais estável. O esquilíbrio estável caracteriza-se pela coincidência dos pontos de aplicação das forças de gravidade e de impulsão, o que acontece em corpos homogéneos, como uma rolha de cortiça, por exemplo. Trata-se de um tipo de equilíbrio impossível no corpo humano, porque nós somos heterogéneos, isto é, contituídos por diferentes tipos de tecidos (ósseo, muscular, cartilagineo,...). A posição de medusa é, então, aquela em que o corpo humano está mais próximo do equilíbrio estável.
Vais experimentar a posição de medusa, primeiro, realizando uma apneia inspiratória (inspiras com toda a força e guardas o ar todo, bloqueando a expiração). O ar é muito leve (menos denso que a água) e vai ajudar-te a flutuar. Vais ver que, com o ar dentro do teu peito, é muito fácil flutuar. Toma atenção porque não podes tirar a face da água, nem deixar de estar agarradinho. Depois de já fazeres a medusa com apneia inspiratória, vais deixar-te manipular. Vais ver que te toco no teu corpo, empurrando-te e rodando-te ligeiramente e voltas sempre à posição inicial. Que giro! Por fim, o mais difícil e, muitas vezes, mesmo impossível. Vais tentar fazer a medusa com apneia expiratória. Vais precisar de uma grande resistência. Primeiro tens que expirar com muita força (expiração forçada) e depois tens que fazer a medusa só com o bocadinho de ar que te ficou dentro dos pulmões, que nunca chegam a ficar vazios (volume de ar residual). É provável que tenhas uma surpresa. Vais sentir o teu corpo a descer que nem uma bala na direcção do fundo da piscina, a menos que sejas gordito (experimenta deixar de comer bolicaus) ou muito leve. Se, mesmo magrito, não conseguires descer é porque tens flutuabilidade positiva e, nesse caso, prepara-te para seres um grande nadador. Sabes porque há muito poucos nadadores negros? Exactamente porque eles são muito densos, porque têm mais massa muscular que os brancos e uma muito maior dificuldade em flutuar. Gastam muito mais energia para nadar.

Percebeste tudo?
Hoje foi um pouquinho mais complicado. As bases mecânicas da natação não são fáceis de entender à primeira. Vai fazendo perguntas...
Na próxima vais começar a aprender a deitar-te na água. Sim, porque estás a aprender a nadar e eu ainda não te pus na horizontal! Nada de pressas. estes pressupostos valem ouro e é por eles que eu não gosto nada dos "cursos intensivos de verão". Aprender a nadar é um processo que demora o seu tempo e a precipitação faz queimar etapas importantes.

Vibrações

Aqui fica para a Ti (que me ensinou a colocar os vídeos no Blog) e para quem disse "não sei como é que ela faz aquilo". E não me venham com tangas. Assim se sente no Nuorte!

Roxanne e Pasion

Divirtam-se!




Felicidade

Hoje estou muito feliz.

Ontem fui comprar roupa. Já não tinha nada para vestir...


Parque da Lavandeira

Domingo. Uma manhã de largo sono e o almoço por fazer.
Saímos de casa todos aperaltadinhos para ir almoçar ao restaurante da Italiana, aquela minha ex-aluna que eu adoro. Eu de saltos altos. Ele a quatro pés, que aquela coisa do Savate é violenta. Almoço tranquilo e a criançada cheia de sono no fim. Que programa?
- E se fossemos ao Parque da Lavandeira, disse eu. Ouvi falar dele quando estive no Parque Biológico. Dizem que é muito giro. Tem parque infantil. Damos lá um salto e ficamos sentaditos a ver os miúdos a brincar.
- Pode ser, Domingo em família, disse quem ia ter de ficar sentado, mas com vontade de correr.
Vai que chegamos lá e a parolada estava toda ao rubro. Tentei ver atentamente as crianças a brincar no parque, mas uma barriga não grávida de 9 meses, do tipo gelatinoso, perturbava-me o olhar. Valia estar mais um par de olhos bem atentos.
O meu quatro pés, a morrer de tédio, lá tomou coragem e disse:
- Vamos dar uma volta, estou farto de estar aqui.
E lá fomos parque fora, que aquilo é giro. Eu era a única de salto alto. Fiquei a pensar onde estariam agora os fatos de treino de tactel que se usavam com o sapatinho preto de salto alto, ao fim de semana, durante as compras no Continente. É certo que eu não estava de fato de treino, mas a sandalinha era preta e alta, era, pois.
A páginas tantas perdi a vergonha. Afinal os garrafões eram tantos que não havia de se notar. Tirei as sandálias. E a relva era macia e fofa e eu fiquei toda contente.
Nem sempre os Domingos são maus, não são não senhor!
Vão ver o parque, é muito giro!

segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Ler para os meus filhos


Ontem li um pouco da história do cão para os meus filhos.
A mais velha, que já tinha ouvido a parte lida, voltou a deixar-se ouvir. O mais novo, saiu-se de novo com "não é assim, mãe", mas deixou-se convencer quando lhe disse que aquela era diferente da outra. Era nova e a mãe tinha-a escrito para ele.
Gostava de ter gravado todas as expressões e todos os comentários.
"coitadinho do cão", dizia ele sorrindo, ante as vassouradas da dona.
"é um ouriço-cacheiro", antecipou à minha leitura.
Mas a melhor, foi a pergunta: ó mãe, o cão ladra ou fala?" Pois é um facto, que o pus a falar e a ladrar. Respondi-lhe que ladra, que sou eu que o ponho a falar. Ele aceitou.

E ouviu com muita atenção, porque eu testei!

Depois de mim


Sei que não sou quem era

Sei que me fui sem regresso

Que ninguém irá em meu socorro

Até aquela longe, longe terra.

Parti por convicção

Embora sem boa intuição.

Parti, ainda que ficando,

Morri um pouco,

Ainda sobrevivendo.

E hoje sou assim.

Existo.

Mas não persisto.

E não voltarei

A ser quem fui.

Sou outro.

Sou alguém

Depois de mim.


Li aqui

domingo, 3 de Agosto de 2008

Frio


Deitada numa folha de nenufar
A deixar o sol penetrar

Não quiz eu, mas o sol desapareceu
Não queria eu, mas deixei-me ali ficar.

Só em corpo, não me engane
Porque meu espirito, esse foi voar

Voou tanto, tanto, tanto
Que não o convenço a voltar

Espera

Olho sobre a varanda a beleza do espaço finito
E espero que os raios de sol me aqueçam a pele

Estou com medo da minha pele não voltar a sentir
Nem do Rio, que do alto olho, voltar a sorrir

Estou com medo que não valha a pena
A espera, deitada, sobre uma flor tão pequena.

Prometi a mim mesma esperar
A espera que me há-de reforçar

sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Quando eu era pequenina

Quando eu era pequenita já gostava muito de água. De mar, que as piscinas não abundavam, tal como o pilim para o bilhetinho...
Ele era mar de manhã à noite, com o avô a vigiar. O avô que dizia de mim a toda a gente:
- "Parece um bacalhau demolhado!"

Sempre água, sempre Mar!

Uma canna


isto é uma canna. O google diz tudo. Vá, nada de preguiças!

Agradecimento (solene)

Agradece-se solenemente a todos os que tiveram a pachorra de ler a história do cão pejada de erros ortográficos e palavras de errada compleição.
Mais refiro que se alguém disser alguma coisa à minha filha lá se vai a minha autoridade para resmungar perante os erros ortográficos dela (tadita, saiu à mãe).
Também quero dizer que não concordo nada com aquela teoria vanguardista de: se o texto se percebe, então não é necessário contabilizar os erros ortográficos dados pelo aluno. É que, depois, dá nisto!
Já corrigi tudo, pelo que já podem dar a ler a alguma criancinha desinteressada pela Nintendo (hoje deu-me para as utopias...).

Caminho de mar

Hoje o mar acordou mais calmo
Sobejam ainda correntes no seu interior
Resultaram muitos baixios
Mas há por onde caminhar
Pé ante pé, cuidadosamente
Porque há estrelas do mar perdidas no fundo
Que não se podem pisar
Mar, sempre tu, meu mar

Experimentem, é giro!


I am a
Sunflower


What Flower
Are You?


"When your friends think smile, they think of you. There is not a day that goes by that you can't find something good about the world and your fellow human."

É mesmo giro. Toca a carregar no link.

Porque não doem os músculos a seguir a uma aula de hidroginástica?

A pedido de várias famílias (frase sublime!), vou tentar explicar porque é que os músculos não doem a seguir a uma aula de hidroginástica.
Mas (há sempre um mas), é preciso, primeiro, digerir os seguintes pressupostos:
1. O músculo contrai de três formas distintas:
a. Concêntrica - a força desenvolvida supera sempre a carga aplicada. Por exemplo, elevo um halter. As fibras (células) musculares contraem sem se distender.
b. Excêntrica - a força aplicada não supera a carga aplicada, mas controla o movimento. Por exemplo, o halter que tenho na mão é muito pesado e eu não estou a conseguir suportar o seu peso e, em consequência, vou estendendo o braço suavemente, aguentando a carga o tanto quanto posso. Neste caso, as fibras musculares contraem, mas distendem-se. Este fenómeno de distensão das fibras musculares induz lesão das mesmas (as fibras estão a ser esticadas enquanto contraídas , o que constitui uma agressão mecânica grande). Em consequência da lesão, o conteúdo celular passa para o espaço intersticial (espaço entre as células) e daí para, por exemplo, a corrente sanguínea. Este conteúdo celular vai dar o alerta necessário ao sistema nervoso para que se inicie o processo de regeneração muscular e vai estimular os terminais nervosos da dor para o corpo "ter juizinho" e não provocar mais estragos, ou seja, vai inibir o movimento que causou a lesão.
A contracção excêntrica ocorre, também, por oposição à concêntrica, por forma a estabilizar os pontos articulares que servem de origem ou inserção ao músculo (ver mais abaixo).
c. Isométrica - Nesta contracção não há movimento. Os músculos contraem mas os segmentos não se movem. É uma contracção fácil de observar nos culturistas, que contraem os músculos, mantêm a contracção e não se movem. É um tipo de contracção que aumenta muito a tensão arterial (pela compressão continuada dos vasos sanguíneos) e é contraindicada para hipertensos.

Ora:
Na hidroginástica, todos os movimentos que realizamos vencem a resistência da água. Logo, a contracção é concêntrica.
Por outro lado, a estabilização que é da responsabilidade da contracção excêntrica é muito coadjuvada pela própria resistência da água. Um exemplo simples. Em terra, quando nos agachamos, os músculos posteriores das coxas contraem, de forma concêntrica, para que se dê a flexão dos membros inferiores. Os músculos anteriores das coxas também contraem, para estabilizar a descida, porque se não o fizerem caimos redondos no chão e também começam a doer se prolongamos o tempo da flexão (experimentamos esta sensação quando não nos podemos sentar na sanita!). Esta contracção, responsável pela estabilização do movimento, é excêntrica. Ora, na água, existe a chamada força de impulsão, que é uma força que nos puxa para cima, pelo que, a dificuldade que sentimos nesta posição em terra desaparece na água. A própria água inibe a flexão dos membros inferiores. A contracção concêntrica dos músculos posteriores da coxa tem de ser mais eficaz e a excêntrica nem é necessária.
Ora (outra vez):
Se, na água, basicamente não há contracção excêntrica, basicamente não há agressão mecânica à fibra muscular, não há lesão, logo, não há dor.

Pronto! Espero que deixem de me chamar intrujona!

P.S. - isto só vira uma intrujice pegada se introduzirmos equipamento de elevada resistência (algo que quase não conseguimos mover na água). Contúdo, dificilmente o fazemos em aulas de hidroginástica.