terça-feira, 19 de Maio de 2009

Rodin. O pensador I

As minhas preocupações enquanto formadora na área do fitness aquático vão-se modificando à medida que vou observando os professores e notando as suas carências. De há uns dois anos para cá inculcou-se-me a preocupação com o doseamento da intensidade, o qual veio a desembocar na necessidade de planeamento.

Apercebi-me da dificuldade dos professores em dosear a intensidade do exercício da seguinte forma:

1. Quando em resposta à questão "Qual é a aula mais intensa, a realizada em águas razas ou a realizada em águas profundas?" os professores tentavam munir-se de argumentos e gladiavam opiniões ridículas que nada tinham a ver com a resposta simples, óbvia, por demais evidente, de que a intensidade da aula não depende do local onde é realizada e sim dos exercícios que o professor escolhe. Quem determina a intensidade da aula, com base no grupo de praticantes que tem na frente e no trabalho que tem vindo a desenvolver, é o professor. Se assim não fosse só poderiamos trabalhar com praticantes ideais em meios ideais. Não podíamos dar aulas a grávidas ou idosos, ou a sujeitos com patologias.

2. Quando ao avaliar candidatos a vagas para professores pedia, durante uma demonstração prática do seu trabalho, que fizessem um pico de intensidade e eles o tentavam começando a correr e a saltitar a um ritmo acelerado e sem terem a noção de que a intensidade não estava a aumentar.

Foi mais ou menos nesta fase que decidi começar a perguntar aos professores que métodos usavam para controlar a intensidade da aula e que comecei a ouvir um esteriótico de resposta que me é tambem familiar:

-"Uso o rubor facial, a frequência respiratória, a fala", "Nós somos professores experientes, olhamos para o alunos e vemos".

Eu contra-argumento estas respostas perguntando se ficamos satisfeitos apenas sabendo que o nosso aluno está pouco cansado, medianamente cansado ou muito cansado e ataco de seguida com a escala de Borg. O contacto teórico com a escala é duro, os ataques às minhas opiniões são mais que muitos (e desaparecem com a sessão prática, quando mostro por a+b que não disse mentiras) e o principal argumento contra são as turmas mistas. Como é que nós vamos definir um patamar de intensidade tendo jovens e menos jovens, bem e mal condicionados, grávidas e não grávidas, pessoas com condicionantes decorrentes de patologias e sujeitos normais, tudo na mesma aula?

É uma boa pergunta. Amanhã virá a resposta.

12 comentários:

Tia_Cunhada disse...

Sendo eu um indivíduo do grupo "jovem, não grávida e sujeito normal", como me avalias?
:-)
Gostoso mesmo é transpirar dentro de água...

antonio - o implume disse...

Tia todos nós presumimos ser normais e com o passar tempo, a sermos jovens também!

antonio - o implume disse...

As águas profundas são sempre mais perigosas, toda a gente sabe disso, são as preferidas dos tubarões.

O meu professor, não se deixa enganar, e descobre sempre quando estamos a fazer ronha. Mas como ele faz parte dos exercícios e nos acompanha na primeira metade, julgo que fica com uma ideia do esforço que fazemos.

Nunca vi por lá o Borg.

susana disse...

Tia: tu fazes parte do meu "grupo alvo" e é para ele que eu estabeleço o patamar de intensidade. Alguma vez te falhei no "suor"?
António: a do jovem era escusadíssima...
As águas profundas provocam muito desequilíbrio. É preciso uma boa adaptação ao meio aquático para ultrapassar este problema. Coisas do binómio gravidade-impulsão...
O teu professor é dos bons! Se ele descobre a "ronha" isso quer dizer que ele olha para os praticantes e analisa bem o esforço de forma subjectiva. Usar-mo-nos a nós mesmos para dosear a intensidade pode ser inadequado, porque, por tendência, somos mais bem condicionados que os praticantes e podemos "exagerar" na dose, levando o praticante a entrar precocemente em fadiga. Quanto ao Borg, não é comum a sua utilização. Mas mesmo os professores que utilizam esta escala podem não o fazer de forma explícita. Por exemplo, eu planeio a aula para um determinado valor de Borg e os praticantes não sabem. A vantagem da escala de Borg é retirar a subjectividade à apreciação da intensidade, porque a baliza em patamares definidos. Eu sei, por exemplo, que um 15 de Borg coincide com aproximadamente 150 bpm cardíacos e que, neste nível, os praticantes já têm dificuldade em falar de forma fluída (têm que interromper o discurso para respirar). Também sei que abaixo deste patamar não consigo potenciar o consumo máximo de oxigénio, tornando os sujeitos mais resistentes à fadiga em regimes de trabalho aeróbios (pronto... vou parar se não sou eu que exagero...).

antonio - o implume disse...

Já... não... con..seguia... respirar!

Tia_Cunhada disse...

António, não era preciso lembrar... :-)

Su, adoro as tuas aulas... mesmo sem entender metade do que escreveste. Mas conheço bem "o Borg", ou não seja eu eterna cobaia dos vossos protocolos...

susana disse...

antónio: devo ter posto vírgulas a menos...
tia: e dá jeito conhecer o Borg, não? A prática é bem mais consciente!

Tia_Cunhada disse...

Aquele Borg faz-me transpirar imenso :-)

susana disse...

Não faz nada! Quem te faz suar sou eu!

mdsol disse...

Susaninha:
A gravação tem passado recorrentemente nas TV. Na sic notícias desde ontem á noite. Mas passou em todas. Um episódio lamentável.
beijinho

:))

susana disse...

Infelizmente não consigo acompanhar as notícia na TV, mas já vi a gravação na net. Lamentável...

mdsol disse...

Muito mau. Mas como digo lá a senhora está desiquilibrada. Aquilo não é nada normal.
:))