De facto o vídeo parece mostrar que, com um trabalho muito sério, desenvolvido na Natação para Bebés (na AMERICA!!!), se consegue pôr um bebé a flutuar em posição dorsal, durante um período de tempo prolongado. A verdade é que se consegue, se o bebé usar um FATO INSUFLÁVEL!!!!! Eu gostava de saber quem é que, no dia a dia, veste fatinhos insufláveis aos seus bebés...
Uma das regras básicas, num acidente aquático, é tirar imediatamente a roupa, começando pelos sapatos. Na dúvida, basta entrarmos vestidos na piscina e sentirmos o peso que nos atrai para o fundo. Neste sentido, se o bebé do vídeo tivesse roupa normal teria sido como que "sugado" para o fundo da piscina devido ao peso dos tecidos encharcados.
A utilização de fatos insufláveis, ou qualquer outro material de flutuação, com bebés ou crianças muito pequenas é, na minha opinião, bastante perigosa. Uma das aprendizagens mais importantes que as crianças fazem na natação para bebés é a de que se afogam. veja-se um exemplo de uma criança muito pequena, que já caminha, e que não tem a mínima noção de que se afoga:
Não há data marcada para a ocorrência desta aprendizagem (noção do risco de afogamento), mas uma coisa é certa, ela só acontece se o bebé vivenciar a incapacidade de flutuar.
O grande perigo deste vídeo reside na venda do auto-salvamento, que pode, inclusivamente, deixar os pais mais relaxados na sua vigilância. Pais que frequentam aulas de natação para bebés e que colocam as braçadeiras no início da aula e apenas as removem no fim não percebem quando é que o bebé começa a perceber que se afoga. Aliás, o que pode acontecer é que o bebé ou a criança pequena não adquire mesmo esta noção e vai vivenciá-la pela primeira vez num processo real de afogamento. Há vários relatos de bebés e crianças que retiraram as braçadeiras antes de entrar na piscina, estando os pais distraídos, confiantes nas braçadeiras, a ler um livro, de costas para a piscina, a conversar... Essas crianças não sabem para que servem as braçadeiras, nem que, sem elas, não conseguem flutuar.
Mas o vídeo tem também aspectos interessantes que importa salientar e que são a ausência de reação facial à queda na água - o bebé está habituado a mergulhar, pelo que não se assusta ao cair à água, não há pânico; e a capacidade de rodar para a posição dorsal, libertando as vias respiratórias.
Por falar em posição dorsal... A partir do momento em que os bebés se começam a sentar, mais tarde ou mais cedo começam a rejeitar que os coloquem em posição dorsal em meio aquático. Neste sentido, esta competência da rotação ou se começa a trabalhar muito cedo (primeiros 6 a 10 meses), ou então depois o bebé chora e só depois dos 2,5/3 anos é que se consegue voltar a esta posição.
Ora pois, a minha mensagem permanece a mesma: o trabalho de adaptação faz-se "para o fundo", "sem braçadeiras"(ganho da noção de afogamento e de algumas competências de defesa) e "sem óculos" (para total adaptação da face).
8 comentários:
Excelente!
Este vídeo tem muito mais força que o anterior, não tem?
Este video dura 3 segundos!!! Só se vê um bebé a cair...
Manda-me por email o link para ver o vídeo completo.
Este vídeo fui eu que cortei de uma série daqueles vídeos supostamente humorísticos que alguém me mandou, uma série do género "isto só vídeo". Estava misturado entre tantos outros "acidentes" idiotas. Só tenho mesmo este bocadinho, mas tem sido um sucesso nas comunicações que tenho feito de natação para bebés. A última que fiz foi para pais e eles tiveram uma reacção fantástica (claro que lhes mostrei primeiro o anterior!).
Hum! Vou ter que voltar a ler...
antónio: a sério? Compliquei ou é por estar muito grande?
Tropecei nos !!! em frente da América, como se os livros por onde estudaste e os métodos que usas não tivessem sido desenvolvidos nos USA!
Depois sim um pouco extenso, mas pronto(s!) já li. Muito deste material é readaptado por Brasileiros a partir de originais feitos com outro fim. Nunca apanhaste uma recomendação para tossires caso tenhas uma paragem cardíaca e dessa forma consegues chegar ao hospital?
antónio: no caso particular da natação para bebés a literatura francesa é bem mais forte que a americana. A minha tripla admiração com a América reside, exactamente, no que dizes no segundo parágrafo. Criou-se o estigma de que tudo o que os americanos fazem é muito bom. Há bom, há médio, mau e muito mau. E há os que, como dizes, pegam em coisas bem feitas e as distorcem ao ponto de as tornarem ridículas.
Tal como disse no post, este filme mostra níveis de competência aquática muitíssimo interessantes, mas não são esses que estão a ser vendidos. O que está a ser vendido é um logro, ainda por cima perigoso. Para mim, esta "venda" dava direito a processo crime!
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