“A Gaiola das Loucas” (La Cage aux Folles) conta a história do famoso transformista Zázá Napoli que mantêm uma união de facto com o proprietário da discoteca “A Gaiola das Loucas”, situada em Cascais, Armando Del Carlo. Porém o filho deste, Ricardo quer casar com a filha do Presidente do Partido da Moral e do Progresso, candidato a Primeiro Ministro de Portugal nas próximas eleições legislativas e chefe de uma respeitada família do Porto. Para isso é preciso transformar por completo ”A Gaiola das Loucas”. Comédia sobre a hipocrisia e o embuste da nossa sociedade, politicamente incorrecta e com um humor corrosivo e actual... (in http://www.agaioladasloucas.com/imprensa/estreia_gdl.pdf)
Porque há cinco horas atrás ainda era sexta-feira...
O marido alinhou e consegui bilhetes à última para o espectáculo. Bons lugares, por sorte. Um musical do La Féria. O que iria sair dali... Fui mais para ver o Constantino, o meu estudante e. Learning, bailarino da companhia. O marido talvez tenha ido sabendo disto mesmo, para me acompanhar. O estudante merecia que eu o fosse ver e eu senti que também merecia ir vê-lo. Convenhamos que o Sr. La Féria, de quem até nem ERA grande fã, também ajudou com alguma compreensão, enquanto o Constantino tentava ensaiar e fazer algumas cadeiras do curso ao mesmo tempo. Admirável!
O espectáculo começou. Eu sabia gostar de musicais.
No primeiro cenário procurei o Constantino, mas fui incapaz de o encontrar. A maquilhagem e o guarda-roupa não o permitiram. Entretanto o espectáculo foi-me envolvendo de mansinho, sem eu dar conta. O Constantino apareceu rapidamente e passou a ser o primeiro bailarino da companhia. A história, os cenários e o guarda-roupa, a cor, a representação, a dança,... acabaram para me transportar para dentro do próprio palco. Há muito tempo que não me sentia assim numa sala de espectáculos. Sorri por dentro e por fora do início ao fim. Não por gozo ou pela piada, mas pelo brilho do espectáculo, pela ingenuidade teatral que me enviou o espirito de volta à infância, ao tempo da alegria pura, onde os gatos se escondem sempre com o rabo de fora.
Sai do Rivoli imensamente feliz, sentindo-me ainda a dançar eu mesma dentro do palco, ao som de músicas com poemas doces e palavras de todos. Sai do Rivoli acreditando em duas piscadelas de olho lançadas a dada altura na minha direcção. Se não eram para mim, apanhei-as, e agora são minhas, nem que fiquem roubadas.
Aplaudi de pé. Sincera!
Gostei. Gostei muito. Gostei mesmo muito.
Parabéns Sr. La Féria. Parabéns Constantino.

15 comentários:
Retive: o marido alinhou. Como em o carro pegou à primeira. Conseguimos estacionar facilmente. A noite estava agradável. Havia pouco transito àquela hora...
As trivialidades que compõe a mala de uma senhora! Algures no meio de toda aquela traquitana que transportam, existe um marido, mas só se alinha.
Gosto do La Féria, é um grande profissional e conseguiu descolar do regime.
antónio: o marido simplesmente não aprecia musicais, daí o alinhou. Sei que foi ver o espectáculo mais por mim do que pelo interesse que este lhe poderia suscitar, que não era nenhum. Fazes o favor de não retirar o romantismos às minhas saídas de namoro. Este alinhou significou uma coisa só: que o meu marido é capaz de fazer um pequeno sacrifício, assistindo a um espectáculo para o qual não se sente minimamente atraído, apenas por mim. Coisas que as mulheres apreciam. Gestos que substituem Ferraris.
Agora concordo com a apreciação do La Féria. Antes achava-o um tanto tonto, acredita, mas estava redondamente enganada. A televisão engana muito...
A escrita ao correr da linha tem destas coisas... o pormenor escapa-se-nos com ar inocente, mas fica lá o grito que nem uma extensa justificação consegue apagar.
Mas não ponho em dúvida que tens o melhor marido do mundo. Só que eu desconfio das mulheres que se justificam com esse argumento! Bjnhos.
Não desconfies de alguém que, pelo facto de não te conhecer, nada tem a provar-te.
O meu marido alinhou.
Ui!
E o Constantino lá guardou mais uma ovelhinha no seu rebanho. :)
Tia: nao consegui nada. Ele foi porque sabia que eu queria ir. E a ideia do post nao era a de discutir a ida do meu marido...
Gi: nao percebi
Boa Susaninha. Assim, sem preconceitos nem complexos. Porque uma vida a dois também se constrói alinhando. Ou mesmo só com muito alinhamento. E alindamento!
beijinhos
:))
lol
boa semana!
Cheira a mofo... :-)
Eu sei querida... Mas ainda não dá... Mais uma semaninha...
Gostava que o Senhor La Feria fizesse uns textos originais. A "Casa de Doidas" já passou em filme. Alguém com este talento e fama bem podia ajudar uns novos dramaturgos portugueses...
E este post já tem um mês!!!
E sim, estou do contra porque devia estar de férias, a passear.
prontus.
Nanadinho: olha quem ele é! Falas de desaparecido para desaparecida, certo?
Vá, melhora lá essa disposição. As férias só sabem bem a quem trabalha! (que lindo cliché)
;)
lol
Estou contra.
É uma questão de princípio.
E eu não desapareci.
Só me mudei para a mesa do canto.
Mas tenho andado de olho aberto!!
(quando não dormitei)
;-)
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