Embora o meu forte, como já sabe, é o ponto de cruz, a verdade é que não posso concordar mais consigo! E veja lá que este senhor até, em determinados livros, subverteu as regras da pontuação e esta ignorante literária, esta cabeça quadradona, achou isso naturalíssimo e entendeu... Mais, adorou... Mas isso é porque sei de ponto de cruz...
antónio: os livros, geralmente, provocam-me reacções somáticas (deve ser assim mais ou menos com todos os leitores! :)) Os livros do Saramago têm o condão de me despertar o sentido dos odores. Como posso explicar? Os livros do Saramago têm cheiro. Não é só forma, cenário, cena teatral, é o cheiro! Não te consigo explicar isto melhor. Quando leio Saramago (e gosto do livro, porque não gosto de todos), os odores bailam suavemente de página em página e é uma sensação incrível. Mas deixa, devem ser maluquices minhas... Donagata: a subversão das regras da gramática do Saramago é de tal forma "natural" que se lê o livro correndo de palavra em palavra, de frase em frase sem nunca deixar de perceber quem fala ou do que se fala. É absolutamente incrível. É muito intuitivo ler Saramago. Mas há quem deteste e pura e simplesmente não consiga. Certo, Tia Cunhada? viciado: também conheço essas. Gosto mais particularmente da Vienense, que é mais rapidinha. E o senhor dança? (é uma pergunta, não um convite, que uma Senhora nunca convida um senhor para dançar!)
Enquanto tu corres de palavra em palavra, de frase em frase, em pleno entendimento... eu penso que Saramago merecia (e como lhe teria feito bem) ter tido a Prof. Aurelina na escola primária... Mas quem sou eu para falar assim de um Nobel?!
Bom, sendo eu adepta do método científico, vamos fazer o seguinte: da próxima vez que nos ajuntarmos levo o livro do Saramago e leio um pouco para ti. Depois dizes-me o que te parece. Assim testamos se é a pontuação ou o assunto, ou a forma que faz com que não gostes de o ler. Bem... isto partindo do princípio que gostas de ouvir ler... e que não vais ficar irritada com o timbre da minha voz e... Bolas. Em ciência é sempre a mesma coisa... Milhares e milhares de varáveis dependentes...
Tenho de confessar que aderi tarde à escrita de Saramago. Mas ‘As Intermitências da Morte’ agarraram-me. Nunca li ‘Todos os Nomes’, pelo que o acaso referido é mero acaso. Quanto à qualidade de escrita dos universitários, claro que existem os que escrevem muito bem. O que deveria ser feito seria ‘nivelar’ por aí pois infelizmente receio que sejam mais os que esquecem, ou desconhecem regras básicas, do que aqueles com quem se aprende. Mas quando há professores que dão o exemplo… Quanto às reguadas, respeito perfeitamente a sua opinião. Mas a mim, as que apanhei por não saber a regra do ‘m’ antes do ‘p’ e do ‘b’… surtiram efeito. Nunca mais esqueci. Poder-se-ia resolver de outra forma? Admito que sim, mas não me arrependo de as ter levado. Obrigado pela visita.
Há momentos de Saramago que são apenas momentos, há momentos de Saramago que são bons momentos, há momentos de Saramago que são sublimes momentos. Um deles está aqui: http://euconto-jrf.blogspot.com/2008/11/ergo-uma-rosa.html
15 comentários:
Odores?
Embora o meu forte, como já sabe, é o ponto de cruz, a verdade é que não posso concordar mais consigo! E veja lá que este senhor até, em determinados livros, subverteu as regras da pontuação e esta ignorante literária, esta cabeça quadradona, achou isso naturalíssimo e entendeu... Mais, adorou...
Mas isso é porque sei de ponto de cruz...
só conheço a inglesa e a veneziana...
antónio: os livros, geralmente, provocam-me reacções somáticas (deve ser assim mais ou menos com todos os leitores! :)) Os livros do Saramago têm o condão de me despertar o sentido dos odores. Como posso explicar? Os livros do Saramago têm cheiro. Não é só forma, cenário, cena teatral, é o cheiro! Não te consigo explicar isto melhor. Quando leio Saramago (e gosto do livro, porque não gosto de todos), os odores bailam suavemente de página em página e é uma sensação incrível. Mas deixa, devem ser maluquices minhas...
Donagata: a subversão das regras da gramática do Saramago é de tal forma "natural" que se lê o livro correndo de palavra em palavra, de frase em frase sem nunca deixar de perceber quem fala ou do que se fala. É absolutamente incrível. É muito intuitivo ler Saramago. Mas há quem deteste e pura e simplesmente não consiga. Certo, Tia Cunhada?
viciado: também conheço essas. Gosto mais particularmente da Vienense, que é mais rapidinha. E o senhor dança? (é uma pergunta, não um convite, que uma Senhora nunca convida um senhor para dançar!)
Enquanto tu corres de palavra em palavra, de frase em frase, em pleno entendimento... eu penso que Saramago merecia (e como lhe teria feito bem) ter tido a Prof. Aurelina na escola primária...
Mas quem sou eu para falar assim de um Nobel?!
Cuidado Tia, que te insultam. Vai ver o ponto cruz da donagata e logo entendes!
Ela arranha?
Vou arriscar...
Não! Ela não arranha. Foi arranhada!
Su, tu sabes que eu sou uma esquisitinha com os cheiros... Será por isso que não consigo ler Saramago???
Bom, sendo eu adepta do método científico, vamos fazer o seguinte: da próxima vez que nos ajuntarmos levo o livro do Saramago e leio um pouco para ti. Depois dizes-me o que te parece. Assim testamos se é a pontuação ou o assunto, ou a forma que faz com que não gostes de o ler. Bem... isto partindo do princípio que gostas de ouvir ler... e que não vais ficar irritada com o timbre da minha voz e... Bolas. Em ciência é sempre a mesma coisa... Milhares e milhares de varáveis dependentes...
Isso, lê p'ra mim até adormecer :-)
Vá, então agora dizes que o Saramago te faz dormir?
Tenho de confessar que aderi tarde à escrita de Saramago. Mas ‘As Intermitências da Morte’ agarraram-me. Nunca li ‘Todos os Nomes’, pelo que o acaso referido é mero acaso. Quanto à qualidade de escrita dos universitários, claro que existem os que escrevem muito bem. O que deveria ser feito seria ‘nivelar’ por aí pois infelizmente receio que sejam mais os que esquecem, ou desconhecem regras básicas, do que aqueles com quem se aprende. Mas quando há professores que dão o exemplo… Quanto às reguadas, respeito perfeitamente a sua opinião. Mas a mim, as que apanhei por não saber a regra do ‘m’ antes do ‘p’ e do ‘b’… surtiram efeito. Nunca mais esqueci. Poder-se-ia resolver de outra forma? Admito que sim, mas não me arrependo de as ter levado. Obrigado pela visita.
Ainda não li o Ensaio sobre a Cegueira, e também não cheguei a ver o filme. Obrigado pela sugestiva sugestão.
Há momentos de Saramago que são apenas momentos, há momentos de Saramago que são bons momentos, há momentos de Saramago que são sublimes momentos.
Um deles está aqui:
http://euconto-jrf.blogspot.com/2008/11/ergo-uma-rosa.html
Cumprimentos
JRF
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