sábado, 27 de Junho de 2009

A Gaiola das Loucas


“A Gaiola das Loucas” (La Cage aux Folles) conta a história do famoso transformista Zázá Napoli que mantêm uma união de facto com o proprietário da discoteca “A Gaiola das Loucas”, situada em Cascais, Armando Del Carlo. Porém o filho deste, Ricardo quer casar com a filha do Presidente do Partido da Moral e do Progresso, candidato a Primeiro Ministro de Portugal nas próximas eleições legislativas e chefe de uma respeitada família do Porto. Para isso é preciso transformar por completo ”A Gaiola das Loucas”. Comédia sobre a hipocrisia e o embuste da nossa sociedade, politicamente incorrecta e com um humor corrosivo e actual... (in http://www.agaioladasloucas.com/imprensa/estreia_gdl.pdf)
Porque há cinco horas atrás ainda era sexta-feira...
O marido alinhou e consegui bilhetes à última para o espectáculo. Bons lugares, por sorte. Um musical do La Féria. O que iria sair dali... Fui mais para ver o Constantino, o meu estudante e. Learning, bailarino da companhia. O marido talvez tenha ido sabendo disto mesmo, para me acompanhar. O estudante merecia que eu o fosse ver e eu senti que também merecia ir vê-lo. Convenhamos que o Sr. La Féria, de quem até nem ERA grande fã, também ajudou com alguma compreensão, enquanto o Constantino tentava ensaiar e fazer algumas cadeiras do curso ao mesmo tempo. Admirável!
O espectáculo começou. Eu sabia gostar de musicais.
No primeiro cenário procurei o Constantino, mas fui incapaz de o encontrar. A maquilhagem e o guarda-roupa não o permitiram. Entretanto o espectáculo foi-me envolvendo de mansinho, sem eu dar conta. O Constantino apareceu rapidamente e passou a ser o primeiro bailarino da companhia. A história, os cenários e o guarda-roupa, a cor, a representação, a dança,... acabaram para me transportar para dentro do próprio palco. Há muito tempo que não me sentia assim numa sala de espectáculos. Sorri por dentro e por fora do início ao fim. Não por gozo ou pela piada, mas pelo brilho do espectáculo, pela ingenuidade teatral que me enviou o espirito de volta à infância, ao tempo da alegria pura, onde os gatos se escondem sempre com o rabo de fora.
Sai do Rivoli imensamente feliz, sentindo-me ainda a dançar eu mesma dentro do palco, ao som de músicas com poemas doces e palavras de todos. Sai do Rivoli acreditando em duas piscadelas de olho lançadas a dada altura na minha direcção. Se não eram para mim, apanhei-as, e agora são minhas, nem que fiquem roubadas.
Aplaudi de pé. Sincera!
Gostei. Gostei muito. Gostei mesmo muito.
Parabéns Sr. La Féria. Parabéns Constantino.

quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Pequena pausa na paradinha, para voltar a parar


(Escrito durante a apresentação de candidaturas a um acto eleitoral)

Pudesse a água passar antes
Lavar línguas, lavar sons
Pudesse a água passar
Entre gargantas ventiladas de logros
Pudesse a água lavar
A mentira entre menores verdades
Pudesse a água nadar

terça-feira, 16 de Junho de 2009

Uma paradinha


Meus amigos


Tenho que fazer uma paradinha. Coisas de trabalho. Parece que só me pagam se eu fizer alguma coisa... Mas eu volto! Há temas na cabeça e uma resposta ao PasÇsos que fica desde já prometida, sob o formato de post, que as questões assim o merecem.

sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Culto da (des)obesidade


Facto 1:
A obesidade está a atingir proporções alarmantes.
Facto 2:
Os índices de morbilidade e de mortalidade decorrentes de doenças relacionadas com a obesidade crescem assustadoramente.
Facto 3:
estão a ser desenvolvidas inúmeras campanhas de sensibilização para os perigos da obesidade.

Pró-facto 1:
A Fátima Lopes não está a fazer moda para para os 50% de Portugueses obesos. A moda devia contemplar os obesos que têm direito a sentir-se bem (vejam a partir dos 44 min). Isto foi afirmado pelo presidente da Associação de doentes Obesos e Ex-Obesos!!!
(O que está a dar é alimentar a cadeia da obesidade. Deve ser...)
Pró-facto 2:
Uma sande de queijo é bastante mais cara do que um croissant.
(Experiência própria)

terça-feira, 9 de Junho de 2009

P de PasÇsos que talvez reconheça... pelo menos assim respondo

Caro Passos

(ou Pedro como me aparece no meu e.mail. Pedro? Politécnico? Será?).

O comentário que me deixou merece uma séria e estimulante reflexão académica.


Disse, me, então:


Oh Senhora Professora, fiquei abismado com as suas palavras relativamente ao desportista de alto rendimento. Então não existem estudos prévios sobre a periodicidade e calendarização das sessões de modo a apontar sobrecargas nuns momentos mais adequados e um ‘alívio’ das mesmas noutras alturas específicas? Então não se acautela determinado tipo de exercício que possa precaver lesões habituais em determinada actividade? Então não se cria um método de treino que tente equilibrar as assimetrias que quase todas as actividades desportivas por si só provocam? Ou será que está a falar duma forma muito generalista só para chegar ao fulcro do seu post? Deixe-me que lhe diga que já muitas vezes me questionei porque, por exemplo, os futebolistas não têm uns exercícios ‘mais a sério’ de alongamentos [não aqueles que eles simulam como se estivessem a fazer um grande feito contorcionista…]’ Será que não evitariam algumas lesões naqueles músculos que obrigatoriamente têm de suportar corridas constantes ao longo de noventa minutos? Às vezes creio que determinados estiramentos resultam duma massa muscular sem o mínimo de elasticidade. Isto sou eu a perguntar, pois a especialista é a Susana.


Assim lhe respondo.


Tudo o que diz em relação ao treino está absolutamente correcto. Contudo, um atleta não pode fugir muito ao âmbito particular da sua modalidade. Aliás, onde ficariam as nossas velhinhas discussões sobre a especialização precoce? Mas vamos por partes.

Abisma-se o Pedro e refere que: "Então não existem estudos prévios sobre a periodicidade e calendarização das sessões de modo a apontar sobrecargas nuns momentos mais adequados e um ‘alívio’ das mesmas noutras alturas específicas".

Diga-me, se estiver incorrecta, se essas sobrecargas e momentos de alívio não decorrem dentro da modalidade. Acaso mudamos de movimento para mudar a sobrecarga? Será que nos momentos de alívio o nadador deixa de nadar para ir correr ou jogar à bola? Tirando no início dos períodos de preparação geral e na entrada das férias (e para os mais novos!), não são as alternâncias de carga (particularmente a fisiológica) realizadas com o atleta nadando, se é nadador, ou correndo, se é corredor? Não nos dizem os estudos, por exemplo, que o treino de força em terra não tem a transferência desejada para a água e, como tal, o nadador tem de treinar força ESPECÍFICA dentro de água? Para que nada o nadador com lastros na água? Não será para manter o mesmo padrão de estimulação muscular? Não será para manter o mesmo regime de contracção, para que as adaptações revertam em favor da melhoria da performance de nado? Para que andamos nós a estudar a força em nado amarrado. Porque não fomos nós para a sala de musculação Pedro? Porque será que o Swaine diz que o Swim bench ou banco SIMULADOR de nado é o instrumento em que o padrão de contracção muscular mais se aproxima do do nado.

Por outro lado, não é a carga de treino uma sobrecarga atípica para o corpo humano? Não se tenta levar o atleta sempre mais alto, mais forte e mais longe? Respeitamos nós treinadores (ou vós, que eu estou afastada destas lides faz tempo) VERDADEIRAMENTE os sinais de perigo que o corpo do atleta emana? Não servem os períodos de "alívio" da periodização para apenas podermos sobrecarregar mais?

Desde quando é que desporto é saúde? Desde quando é que um atleta é um indivíduo saudável? Quantos ex-atletas conhece que não sofrem vida fora com as mazelas dos tempos da competição?

Diz também: "Então não se acautela determinado tipo de exercício que possa precaver lesões habituais em determinada actividade?".

Claro que sim! Mas isso não impediu um dos mais reconhecidos médicos da nossa praça ter escrito um livro chamado "Lesões típicas do desportista". Lembra-se desta lesõese deste livro, que certamente estudou? As lesões típicas são as que surgem, por exemplo, pela repetição do gesto, aquelas que não conseguimos evitar, são o reflexo do padrão do gesto de uma dada modalidade. São as lesões às quais quem sobrevive se torna campeão. Diga-me, se for quem eu julgo que é, não reza todos os dias para os seus nadadores não lhe aparecerem a dizer Pedro "DOI-ME O OMBRO!".

Diz ainda “Então não se cria um método de treino que tente equilibrar as assimetrias que quase todas as actividades desportivas por si só provocam?”.

Então não nota a antítese que contém a sua afirmação? “quase todas as actividades desportivas por si só provocam”. Eu pergunto-lhe simplesmente: porque é que os andebolistas e os voleibolistas têm escolioses? Será pela hipertrofia do braço dominante? A hipertrofia aumenta a carga ponderal de um dos membros, certo? E a escoliose aparece, certo? E qual o método de treino que a consegue evitar? Eu disse evitar e não impedir! E esta hipertrofia também aparece no fitness?

Parece-me bem inteligente esta sua conclusão, ainda que a meio de tabela: “Ou será que está a falar duma forma muito generalista só para chegar ao fulcro do seu post?”

Contra-pergunto: será que algum dos meus leitores habituais percebeu na integra o conteúdo anterior desta resposta que decidi dar-lhe?

Agora a sua questão: “Deixe-me que lhe diga que já muitas vezes me questionei porque, por exemplo, os futebolistas não têm uns exercícios ‘mais a sério’ de alongamentos [não aqueles que eles simulam como se estivessem a fazer um grande feito contorcionista…]’ Será que não evitariam algumas lesões naqueles músculos que obrigatoriamente têm de suportar corridas constantes ao longo de noventa minutos?”.

O exemplo que vem dar é pobre, bem o sabe. No mundo do futebol estão agora (falo, obviamente, de um passado recente) a dar-se os primeiros passos sérios de estruturação e planeamento. Há já, felizmente, muitos treinadores a realizarem um trabalho sério de flexibilidade com as suas equipas (há já equipas onde a pubalgia, por exemplo, é quase coisa do passado. Aqui tem o mínimo de flexibilidade de que fala no seu último parágrafo). De qualquer forma, diga-me qual a quantidade de trabalho de flexibilidade necessária para contrabalançar o estimulo de força, particularmente do trem inferior, que o futebolista sofre? Eu não sei… se calhar não serei assim tão especialista…

Obrigada pelo comentário. Foi muito estimulante esta discussão. Até breve!

Disse-me uma gata.

"Se todas as aulas de hidroginástica que faço tivessem a intensidade das suas eu não precisava de ir a terra".

Errado! Lisonjeiro, mas errado!

A grande diferença entre o Desporto para todos e o Desporto de alto rendimento reside exactamente na diversidade de estímulos orgânicos que caracterizam o primeiro e na especificidade dos estímulos igualmente orgânicos que caracterizam o segundo. Como já expliquei por aqui, é a agressão que faz desenvolver a estrutura e, em consequência, a função. O desportista de alto rendimento é olhado como uma máquina que deve produzir uma determinada performance específica, sendo o treino, como tal, completamente focalizado nas estruturas que estão directamente envolvidas na produção do rendimento esperado. Não interessa se a sobrecarga é grande demais, assimétrica ou indutora de lesões. Se o corpo aguentar e o talento for grande produz-se um campeão. O sujeito normal, que usa o exercício como estilo de vida, com o propósito de melhorar a sua qualidade de vida e inibir os processos degenerativos que lhe possam afectar a saúde deve, na medida do possível, realizar várias formas de exercício. Quanto mais variado for o estímulo maior o número de estruturas corporais que saem reforçadas. Neste sentido, a água não substitui a terra, nem a terra substitui a água. Por exemplo, no exercício aquático realizado apenas com o corpo, sem elementos de resistência externos, não se conseguem contracções musculares excêntricas, aquelas que mais agridem o músculo mecanicamente e que, como tal, obrigam a um maior esforço de regeneração e de supercompensação. Por outro lado, em terra é difícil trabalhar a resistência sem que as estruturas orgânicas sofram cargas repetitivas que podem induzir microtraumatismos desencadeadores de patologias como micro-ruturas, tendinites e afins, sendo a água, nestes casos, um meio altamente protector e favorável ao desenvolvimento da resistência cardio-vascular. Entenda-se, contudo, que diversidade não significa anarquia. Não é sensato fazer o que nos apetece, uma aula sempre diferente para não cair na monotonia. Não, é preciso criar diversidade dentro de um programa devidamente estruturado, ou a carga não será devidamente dirigida e incrementada e a forma não evoluirá.

Posto isto, exercite, varie, mas seguindo um plano devidamente orientado por um profissional da área do Desporto.

segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Dicas de fitness

A dica de fitness de hoje, aqui da lateral (direita) cai-me que nem uma luva: People who exercise regularly enjoy improved sleep quality. They fall asleep more quickly, sleep more deeply, awaken less often, and sleep longer.
Descobri porque é que ando sempre com tanto sono! As coisas que se descobrem com as dicas do fitness!

sábado, 6 de Junho de 2009

Piaf

Piaf

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Nota: muito bem! Deixou-me um nadinha deprimida, da vida de Piaf contam o triste e o muito triste, mas o espéctáculo é generoso de boas vozes e explêndida representação.


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quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Within Temptation and The Metropole Orchestra - Black Symphony

Uma banda gótica Holandesa. Uma Orquestra de jazz sinfónico Holandesa que toca quase tudo...
Uma trovoada de sons pejada de arrepios de pele.

Acho que talvez o devamos ao Fredy Mercury...



(Obrigada Michel!)

Porto em Directo. Se gosta de rir da insalubridade humana


PORTO EM DIRECTO
Peça de Café-Teatro. O trabalho, a história, as artes, as letras e a ciência; estórias do passado e do tempo que passa.
Local: Teatro do Campo Alegre
Horário: terça a sábado, 21:45h; domingo, 16:00h
Município: Porto
Ficha Técnica: Autores: Benjamim Veludo e Ricardo Alves Direcção: Cláudio Hochman Direcção Musical: Carlos Azevedo Figurinos: Catarina Marques Elenco: Adriana Faria, Alexandra Calado, Cristina Cardoso, Joana Duarte Silva, Jorge Loureiro, Nuno Preto e Rui Pena
Promotor: Seiva Trupe - Teatro Vivo
Temática: Teatro
Início:
2009-04-15
Fim:
2009-06-30

Ler Saramago


É dançar uma Valsa de odores.

quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Afirmação de um estudante

Se há uma coisa na qual não acredito é no chamado sexto sentido do sexo feminino.

O que existe é uma atitude inteligente das mulheres em atirar o barro à parede e uma atitude de anta dos homens em admitirem, tácita ou expressamente, aquilo de que não há certeza...

(claro que este é um estudante dos madurinhos!)

Reparem que ele disse atitude de ANTA, não disse atitude elegante!
(ihihihi!)

segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Baby Swimming Survival Vídeo

É! É "quase" uma treta.
De facto o vídeo parece mostrar que, com um trabalho muito sério, desenvolvido na Natação para Bebés (na AMERICA!!!), se consegue pôr um bebé a flutuar em posição dorsal, durante um período de tempo prolongado. A verdade é que se consegue, se o bebé usar um FATO INSUFLÁVEL!!!!! Eu gostava de saber quem é que, no dia a dia, veste fatinhos insufláveis aos seus bebés...
Uma das regras básicas, num acidente aquático, é tirar imediatamente a roupa, começando pelos sapatos. Na dúvida, basta entrarmos vestidos na piscina e sentirmos o peso que nos atrai para o fundo. Neste sentido, se o bebé do vídeo tivesse roupa normal teria sido como que "sugado" para o fundo da piscina devido ao peso dos tecidos encharcados.
A utilização de fatos insufláveis, ou qualquer outro material de flutuação, com bebés ou crianças muito pequenas é, na minha opinião, bastante perigosa. Uma das aprendizagens mais importantes que as crianças fazem na natação para bebés é a de que se afogam. veja-se um exemplo de uma criança muito pequena, que já caminha, e que não tem a mínima noção de que se afoga:

video


Não há data marcada para a ocorrência desta aprendizagem (noção do risco de afogamento), mas uma coisa é certa, ela só acontece se o bebé vivenciar a incapacidade de flutuar.
O grande perigo deste vídeo reside na venda do auto-salvamento, que pode, inclusivamente, deixar os pais mais relaxados na sua vigilância. Pais que frequentam aulas de natação para bebés e que colocam as braçadeiras no início da aula e apenas as removem no fim não percebem quando é que o bebé começa a perceber que se afoga. Aliás, o que pode acontecer é que o bebé ou a criança pequena não adquire mesmo esta noção e vai vivenciá-la pela primeira vez num processo real de afogamento. Há vários relatos de bebés e crianças que retiraram as braçadeiras antes de entrar na piscina, estando os pais distraídos, confiantes nas braçadeiras, a ler um livro, de costas para a piscina, a conversar... Essas crianças não sabem para que servem as braçadeiras, nem que, sem elas, não conseguem flutuar.
Mas o vídeo tem também aspectos interessantes que importa salientar e que são a ausência de reação facial à queda na água - o bebé está habituado a mergulhar, pelo que não se assusta ao cair à água, não há pânico; e a capacidade de rodar para a posição dorsal, libertando as vias respiratórias.
Por falar em posição dorsal... A partir do momento em que os bebés se começam a sentar, mais tarde ou mais cedo começam a rejeitar que os coloquem em posição dorsal em meio aquático. Neste sentido, esta competência da rotação ou se começa a trabalhar muito cedo (primeiros 6 a 10 meses), ou então depois o bebé chora e só depois dos 2,5/3 anos é que se consegue voltar a esta posição.

Ora pois, a minha mensagem permanece a mesma: o trabalho de adaptação faz-se "para o fundo", "sem braçadeiras"(ganho da noção de afogamento e de algumas competências de defesa) e "sem óculos" (para total adaptação da face).